Placar do Homicídio no Brasil: branco 1 X negro 10

Deroní Mendes - Em pleno seculo XXI, mais de 120 anos após a abolição da escravidão, para um afrodescendente, chegar na idade adulta ainda é um grande  é um grande desafio. O mapa da violência contra jovens do relatório final da CPI do Senado divulgado em junho, mostrou que no Brasil, um jovem negro é morto a cada 23 minutos.  Anualmente, 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados no Brasil. A taxa de homicídios entre jovens negros é vergonhosamente quase quatro vezes maior que entre os brancos (36,9 a cada 100 mil habitantes, contra 9,6).  
         
Infelizmente, não apenas a vida do jovem negro que vale menos,  de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), entre  1996 e 2010, a probabilidade de um negro ser vitima de homicídio no Brasil era 8% maior que de um indivíduo  branco.

O Atlas da Violência 2016, divulgado pelo IPEA e o Fórum Brasileiro de Segurança pública, mostra que o Brasil  atualmente o pais mais violento do mundo, cuja taxa de letalidade   é de 29,1 homicídio para cada grupo de 100 mil habitantes, índice  10%maior que a média mundial. No entanto, entre  2004 e 2014,   houve uma queda de 14,6% no número de homicídio entre a população não negra. Já entre a população negra, houve um vergonhoso aumento de 18,2% no mesmo período. Significa dizer que, enquanto 10 negros são assinados, cada 1 não negro é morto.

Recentemente, a  Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), organismo internacional, autônomo e de natureza intergovernamental, fundado em 1957 pelos Estados Latino-Americanos que acolheram uma recomendação da XI Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgou o “Mapa da violência 2016 – Homicídios por Armas de Fogo no Brasil”.  

Entre  2003 e 2014,  houve uma queda de uma queda de 26,1% no numero de homicídio por armas de fogo na  população branca. Em contrapartida, entre a população negra, o número de vítimas negras  teve um aumento de 46,9% (). 
Na Nota técnica “Vidas Perdidas e Racismo no Brasil”  divulgado pelo IPEA em 2013, os pesquisadores Daniel R. C. Cerqueira (DIEST/IPEA) e Rodrigo Leandro de Moura (IBRE/FGV),  afirmaram que: “o componente de racismo não pode ser rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios entre homens negros e não negros no país”.

Não importa o órgão de pesquisa, se nacional ou internacional.  Quando o assunto é assassinato, os dados mostram a mesma realidade infelizmente, no país da diversidade racial, a vida do negro vale muito menos que a do branco. Os dados mostram que independente da escolaridade, gênero, idade ou estado civil, o grupo étnico que mais sofreu e sofre morte violenta ou por arma de fogo no Brasil sempre foi e continua sendo, a população negra.

Imagem disponível em

: http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/seguranca-publica-tema-dos-conservadores/

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