Taxa de Mortalidade infantil entre crianças negras

Deroní Mendes - A lei áurea garantiu a liberdade, porém sem qualquer reparação social ou indenização
financeira aos escravos. Porém, a liberdade por si só não é suficiente. Não é garantia de prosperidade. E no caso da população negra, ser livre sem condições básicas de sobrevivência serviu para consolidar o abismo social entre negros e brancos.  Como alcançar prosperidade sem condições financeiras para garantir moradia, alimentação, saúde e educação?

Continuamos sendo um dos países mais desiguais do mundo quando levamos em conta o fator racial. O abismo social que separa a população negra da não negra é de berço e continua gigante, digamos. 

Já são 128 desde libertação oficial da população negra com a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, mas graças ao predomínio da segregação socioeconômica e racial, as chances e sobrevivência das crianças negras e pardas continua sendo bem menor que de uma criança branca.  Ou seja, mesmo com nossa luta incansável. Nossa busca incessante por qualificação profissional, continuamos sendo o grupo social com maior números de indivíduos em situação de vulnerabilidade social e econômica da nação, indígenas.

De acordo estudo divulgado em 1998 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  , no Brasil, crianças negras e pardas de 0 a 5 anos tinham 67% mais chances de morrer que as brancas. 
Em 2008, dez anos depois, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou o Relatório da Situação Mundial da Infância 2008, realizado em 194 países, apontou que no Brasil, o índice de mortalidade infantil de crianças  negras era 40% maior que em crianças brancas e que entre crianças indígenas.  A taxa era 48,5 a cada 1000 nascidos vivos, número duas vezes maior que a taxa de mortalidade entre crianças brancas.  Ou seja, nossa luta racial pela sobrevivência, inicia-se antes do nascimento. Nossa primeira batalha é, e que nossa mãe não morra durante a gestão ou durante, e que a gente nasça vivo.

Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), na década, o Brasil  se tornou referência mundial na redução e combate a mortalidade infantil, ao reduzindo a taxa em 68,4% (14,9 mortes para cada 1.000 nascidos vivo). No entanto, os  avanços não atingiram todas as crianças de todos grupos étnicos  da mesma forma, pois de acordo com o Censo Demográfico 2010, enquanto 37% das crianças e dos adolescentes brancos viviam na pobreza em 2010, esse percentual se ampliava para 61% entre os negros e pardos.

Então, realmente temos pouquíssimos comemorar neste novembro negro, porém temos um longa urgente batalha, a batalha por justiça social para igualdade racial. Batalha pela qualidade de vida digna a população negra, do nascimento a velhice. Nossa batalha por dignidade e igualdade racial.

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*Na fotografia que ilustra esse post são 3 dos meus sobrinhos, Marcus Gabriel,  Geovanna Karini e Flávia Cristina. Vivo longe, mas essas postagens também tem como objetivo empoderá-los. Mostrar que infelizmente,por causa da nossa origem,  a cor da da nossa pele e o tipo de cabelo,  tentam nos excluir, nos inferiorizar. Mas somos fortes, e estamos nos empoderando.
Foto: Deroní Mendes

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