Não tão iguais aos outros: Povos Indígenas do Brasil

Deroní Mendes - Ainda conheço pouco, mas sei que sobre os povos indígenas há muito que se dizer e conhecer muito além do fato de serem os legítimos donos dessa Terra Brasil. Os brasileiros de fato.
O território para os povos indígenas possui valor imensurável, pois é está ligada a identidade coletiva do grupo. Cada lugar tem seu significado. Não se trata se a terra que viveram os antepassados é extremamente importante para as futuras gerações.



Quinhentos e onze (511) anos após o descobrimento do Brasil ainda há muito desconhecimento por parte dos brasileiros não indígenas sobre os brasileiros povos indígenas,suas sociedades e culturas. “Os índios são como a gente?” é apenas uma das inúmeras perguntas que constantemente me fazem quando digo que trabalho em uma organização indígena.

 Sociedade  é o conjunto de pessoas de um determinado espaço ou território que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. Pode-se dizer ainda que sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações acontecem entre indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. 

Cada sociedade possui suas próprias normas. Os não indígenas também organizam, falam e possuem crenças diferentes em cada região, estado ou até cidade do país. E enquanto seres humanos ninguém pergunta se “são como a gente” porque sabe que é da natureza humana que as sociedades sejam diferentes.

Ainda me pergunto: Porque é fácil relativizar, entender e aceitar a cultura das sociedades dos não indígenas e continuar sendo etnocêntrico e preconceituoso com os povos indígenas? Porque ainda é tão difícil relativizar e procurar entender quanto as sociedades e  cultura dos povos indígenas?

Enquanto seres humanos, somos iguais, inclusive nas diferenças nas relações que estabelecemos entre o mundo social e o mundo cósmico, entre o universo natural e sobrenatural.

Os povos indígenas são humanos como qualquer um de nós e enquanto humanos que vivem em sociedades são diferentes culturalmente na forma de pensar, organizar, falar e relacionar-se entre si, com a natureza e com outras sociedades.

Cada povo indígena tem sua própria forma de se organizar, suas crenças, seus costumes onde a natureza e seus lugares, o nascimento e a morte têm significados diferentes para cada povo. Os indivíduos do grupo, homens, mulheres, crianças anciãos também não têm papel mesmo papel para todas as etnias indígenas.

Como em culturas de sociedades não indígenas, os rituais dos povos indígenas são planejados com antecedência, envolve confecção de artefatos e alimento. São momentos de extrema importância para o povo e marcam a socialização de um indivíduo ou a passagem de um grupo de uma situação para outra. Estes momentos constituem a identidade dos indivíduos nas diferentes fases da vida, até a sua passagem para o mundo dos mortos.


Historiadores afirmam que em 1.500 havia cerca de 5 milhões no Brasil, porém Sinopse do Censo e Resultados Preliminares do Universo referente ao Censo Demográfico 2010  divulgada em abril pelo Instituto Barsileiro de geografia Estatísitica - IBGE em abril mostra que numero de indivíduo que se declarou indígena foi de apenas 817.963 pessoas.

No Brasil, atualmente,  excluindo-se os índios isolados são reconhecidos 234 povos indígenas. Segundo o Instituto Socioambiental - ISA são atualmente 674 áreas terras indígenas (TIs) porém, o tamanho de área somada corresponde apenas a 13,1% do território nacional (ocupam uma extensão total de 111.523.636 hectares ( 1.115.236 km2). O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares (8.511.965 km2).
Mapa  da Amazônia Legal.  Fonte: http://geobrainstorms.wordpress.com/tag/amazonia-legal/
A Amazônia Legal é a região onde se localiza a maior parte dos povos e Terras indígenas no Brasil. São 180 povos e 409 áreas que ocupam 108.720.018 hectares, o que corresponde a apenas 21.67% da Amazônia Brasileira, porém a 98.61% da extensão total de Terras indígenas do Brasil.

Em Mato Grosso são 42 povos indígenas, 78 Terras indígenas e uma população estimada em 58 mil indivíduos.

Os povos indígenas não são iguais e não falam a mesma língua. Estima-se na época do descobrimento eram cerca de 1.300 as línguas faladas pelos diferentes povos indígenas do Brasil. Hoje segundo o ministério da Justiça são apenas 180, excluindo-se a línguas faladas pelos índios isolados. Pois estes (isolados) não estão em contato com a sociedade brasileira e, portanto suas línguas ainda permanecem desconhecidas e não estudadas.

Ainda hoje, há indígenas que desconhecendo o português e falam unicamente sua língua, Porém há inúmeros que falam a língua materna do seu povo e também o português e os que não falam mais a língua materna como é o caso dos Araras do Rio Branco aqui em Mato Grosso onde atualmente apenas 02 anciões sabem fala a língua materna.

Quem estabeleceu uma classificação para as línguas indígenas falada no Brasil foi o lingüista Aryon Dall'Igna Rodrigues (brasileiro) e esta é ainda hoje a mais utilizada por cientistas e pesquisadores. As línguas indígenas Brasileiras foram agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes três troncos lingüísticos: Tupi, Macro-Jê e Aruak. No entanto, há as famílias: Karib, Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru que foram consideradas não relacionadas a nenhum dos três troncos acima.

Há também outras línguas não foram classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma família, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como é o caso da língua falada pelos Tükúna, a dos Trumái e a dos Irântxe.

Vale destacar que existem as línguas indígenas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados pelos povos Krikatí, Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó, Gavião (do Pará), Pükobyê e Apaniekrá (Canela), que são, todos, dialetos diferentes da língua Timbira.

Ainda é pouco tudo que aprendi e até hoje sobre e com os povos indígenas e é bom poder compartilhar aqui com quem se interessar e estiver disposto a relativizar em relação ao mundo do “outro”.




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