País rico é país sustentável com equilíbrio ambiental, justiça social e eficiência econômica

*Deroní Mendes Assistindo a teles jornais, sites de noticias ou blogs ou no dia a dia, não raro leio e ouço declarações favoráveis ao novo Código que eu particularmente discordo completamente. Algumas confesso, são tão infundadas e insustentáveis tanto quanto a possibilidade de conciliar preservação ambiental e produção agrícola fazendo o uso da terra e demais recurso naturais de acordo com as propostas incorporadas ao novo Código florestal.
As afirmações mais comuns são:
  • Agora o Brasil poderá continuar crescendo; que quem produz alimentos para o sustento dos brasileiros não mais serão criminalizados e terão o devido reconhecimento.
  • O retrocesso e ameaça a sustentabilidade ambiental e produtiva no Brasil representada pelo Novo Código é discurso de ONGs patrocinadas pelo capital estrangeiro que trabalham para que o Brasil preserve suas florestas porque eles (os estrangeiros, principalmente os europeus) já destruíram tudo e vêem no crescimento da produção e exportação brasileira uma ameaça;

  • As propostas (todas) incorporadas ao novo código não ameaçam o equilíbrio ambiental, pelo contrário assegurarão a sustentabilidade ambiental e econômica da produção de alimenta do agronegócio que sustenta o Brasil e possibilitará ao pequeno agricultor tão penalizado pela atual legislação ambiental produzir dignamente em uma parte mais ampla da sua propriedade.

  • A Academia Brasileira de Ciências - ABC e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência -SBPC foram coptadas pelas Big ONGs ambientalistas como a WWF e o Greenpeace, daí o posicionamento de ambas e até a recomendação de que e recomendação que  as discussões sobre as mudanças no código tivessem, pelo menos, dois anos a mais com a participação efetiva da sociedade.


No entanto, é estimulante perceber que nós, os brasileiros, a sociedade civil ao contrário dos parlamentares estamos muito bem informados e preocupados com o mundo que estamos construindo e queremos mudanças.

Sabemos que o artigo 225 da constituição federal assegura que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”. Estamos cientes de que crescer a qualquer custo economicamente não significa desenvolver-se sustentavelmente. Queremos um mundo mais sustentável que assegure a qualidade de vida para esta e futuras gerações

Então, veta Dilma, nós 85% dos brasileiros contamos e apoiamos o seu compromisso com um Brasil sustentável e sem pobreza País rico é um país sustentável capaz de conciliar equilíbrio ambiental, justiça social e eficiência econômica.

Olhe e valorize os Amazônidas, assegure vida digna e a garantia dos territórios dos povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas, quilombolas e outros tradicionais. Pare Belo Monte, os povos dos Xingu e do mundo contam o seu senso de justiça social e ambiental para a construção de um Brasil sustentável rico e sem pobreza.

Esperamos que de fato vossa excelência não negocie a questão do desmatamento. Cumpra com os compromissos assumidos e mais que isso, não permita que haja volta atrás na roda da História.

Crescer com infra-estrutura e economicamente como maior produtor de grãos e da pecuária não garantirá distribuição de renda, redução da pobreza, justiça social e equilíbrio e preservação ambiental. Crescer a qualquer custo levará a estagnação dos recursos naturais, aumentarão as catástrofes ambientais, o aquecimento global, aumentará a sede e não acabará com a fome no mundo.

*Geógrafa e coordenadora do projeto de Formação de Gestores Indígenas no Instituto Maiwu

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