Escolhi um blog

Deroní Mendes - Quem escreve, escreve de algum  lugar (mundo) e para alguém. Documentos (livros, jornais, e documentos oficiais) são fontes construídas. Nunca perca isso de vista quando ler alguma coisa. Qualquer coisa. Estas eram as frases que mais repetia um professor na faculdade. Sabendo quem escreveu, é possível entender a ótica de análise utilizada.





Sou afrodescendente, filha de agricultores. Estudei Geografia e escrevi minha monografia sobre os impactos na organização social, cultural e produtiva em comunidades tradicionais relacionados ao parcelamento das antigas terras de uso comum.
 Desde 2002 trabalho no Terceiro Setor em organizações socioambientais. Atualmente estou em uma organização indígena. 


Acredito que é possível um mundo sustentável. Mas
que isso só será possível com justiça social, equilíbrio ambiental e eficiência econômica. Enquanto o Estado não priorizar de fato o social e ambiental continuará havendo injustiças, intolerância, violência e as tragédias ambientais. E é sobre isso que escrevi, escrevo e continuarei escrevendo. Vale a pena contar e dar visibilidade ao modo de viver e pensar de atores sociais que sempre estiveram e continuam a margem da sociedade e em segundo plano para o Estado.

A grande maioria dos posts do blog é de minha autoria. Outros são notícias e reflexões de outros profissionais e organizações e órgão que tem a ver com os temas que me identifico como: Questão agrária, ambiental, indígena e povos e comunidades tradicionais.

 As pessoas são livres para escolher qual o caminho seguir, quem e o que defender, onde e como manifestar esta opinião. Eu escolhi o blog.

 Leio e consulto principalmente informações de organizações do terceiro setor e informações dos órgãos do governo, jornais. Também consulto informações de fontes que têm outra linha de abordagem, ou seja, outro público. Respeito, mas isso não me fez e creio que não me farão mudar de opinião por que acredito naquilo que defendo e por isso escrevo.

Penso que a maioria das visitas são daqueles que gostam daquilo escrevo, pois é de incentivo a maioria dos comentários que recebo. No entanto, nem de longe, espero que todos concordem com o escrevo. Alguns detestam e a prova disso são alguns comentários andei recebendo no blog ultimamente. 

Confesso, esses comentários me chateiam e não pela opinião contrária ao que eu acredito e defendo, mas porque são grosseiros e não são assinados ao final. Às vezes chego a concordar que não necessitam ser considerados, “liberados” e respondidos. Afinal, que tipo de índole moral e profissional tem uma pessoa que faz um comentário e não se identifica? Então por que considerar?

Mas, esses leitores e comentários também são importantes. Considero os comentários contrários também importantes. Respeito-os, tanto que até os publico. Vale ressaltar que esses comentários são sempre anônimos e agressivos. Alguém já me disse que não deveria publicá-los, porque não se pode levar a sério pessoas que não assumem o que diz. Ou seja, não assinam o que escrevem. 

Bem, até o momento tenho publicado e respondido esses comentário também. Os dois tipos de leitores me levam a crer que o que escrevo é relevante. Esse texto mesmo sobre a titulação dos afrodescendentes quilombolas de MT está "linkado" no site da Fundação Cultural Palmares. 

Em tempo:  Não mencionei no post “A titulação definitiva das terras dos afrodescendentes quilombolas em Mato Grosso", mas acho relevante registrar que no dia 06 de junho de (2011) foi publicado no Diário Oficial da União a Portaria da  Fundação Cultural Palmares – FCP  certificando  47 comunidades quilombolas nos seguintes estados Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Tocatins, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pará. Com isso atingiu o total de 1.527 comunidades certificadas. Prontinho, tá registrado.

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