Um código florestal para os pequenos agricultores

A idéia não era escrever um novo post, e sim apenas responder a um comentário do post anterior: Novo Código Florestal salvará o pequeno agricultor da degradação. Jamais deixei um comentário sem resposta  e  com este seia diferente, embora tenha já encontrado o mesmo comentário ou parte dele em outros blogs e sites.

Bem , não conheço-o e também não sei nada sobre a sua trajetória de vida pessoal ou profissional.

Não posso dizer que ele não tenha razão no que escreve. Não posso dizer pelos outros autores nos quais ele postou o mesmo comentário, mas quanto a mim creio que o meu leitor completamente equivocado e subestimou o meu conhecimento quanto a realidade do "pequeno ruralista" os tais 80% sem visibilidade e tempo p/ mobilização, afinal sou irmã, filha, neta, sobrinha, bisneta, tataraneta exatamente desses pequenos agricultores injustiçados pela atual legislação ambiental, esquecidos pelo poder público e explorados pelos grandes proprietários e muitas vezes criminalizados pela sociedade ao reivindicar seus direitos ou por não conseguir produzir em sua propriedade. Em fim, por querer um pouco de dignidade e cidadania para si e sua família.

Não sou uma pequena agricultora, mas sou filha de dois deles. Sendo assim, não falo por eles e sim deles e um pouco de mim. Portanto, sei (talvez até mais que você), vejo o quanto a legislação ambiental atual é injusta principalmente p/ os pequenos agricultores e também, sei o quanto o poder público é omisso aos problemas que a população rural enfrenta que não se resume aqueles relacionados as questões ambientais.
Mesmo com essa legislação injusta vigente, conheço inúmeras iniciativas sustentáveis de pequenos agricultores, extrativistas e indígenas e até de alguns (poucos) fazendeiros aqui em Mato Grosso e em toda Amazônia e outras regiões do Brasil. E sem recorrer aos vídeos do Globo Rural.

Por exemplo, conheço experiências exitosas de uso da reserva legal através do plantio de frutíferas e exóticas e inclusive experiências de recuperação de áreas degradadas e nascentes por pequenos agricultores, indígenas e alguns fazendeiros.

Ainda, sou grata a ele por querer me mostrar (mais do mesmo), o que vivi, conheço e acompanho a trinta e uns anos ao vivo e não só virtualmente no Globo Rural ou internet. Prá se ter idéia, me interesso tanto pelo tema que até a minha monografia de graduação estudei o pequeno produtor, a legislação ambiental e agrária e o mercado. E até tirei 10.

Porém, há que se dizer que como filha de agricultor, não posso concordar que use o pequeno agricultor como pretexto para piorar o Código Ambiental,  desrespeitar e degradar ainda mais a natureza. Meus familiares semi-analfabeto e seus antepassados, sem embasamento científico sabiam e sabem como é dinâmica dos ecossistemas no qual estão inseridos a várias gerações. Eles e seus antepassados sabem disso há séculos e hoje os cientistas estão dizendo a mesma coisa com seus métodos científicos.

Não foi nem é  preciso um estudioso ir até eles prá dizer prá o quão importante é deixar a mata ao longo dos rios que isso é importante prá ele, os bichos, os peixes e até para o turista da cidade em suas férias.

Eles sabem por exemplo que plantação (monocultivo) não é floresta e sim um deserto verde. Que uma floresta tem inúmeras espécies.

Sabem quão importante é usufruir dos recursos naturais sem comprometer o usufruto  das futuras gerações mesmo sem nunca ter lido o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 que diz: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Desobrigá-lo de manter e preservar suas APPs e reserva legal não aumentará a sua produção e sua qualidade de vida. Talvez até aumente, a produção a curto prazo, mas logo não terá mais área fértil em sua propriedade que continuará pequena para recuperar sua fertilidade entre uma safra e outra.

Ouvindo o discurso do ruralista pregando a necessidade de  desobrigação de manutenção da reserva legal e APPs em suas propriedades, muitos agricultores por um momento por não pensar a longo prazo se enganam e acham que  de fato desmatá-las é a solução para o aumento da produção, afinal, com isso poderá  aumentar sua área de cultivo. Mas  o problema  está em como ele está produzindo e o que prouz e  não necessariamente com o  tamanho da área  que ele tem para produzir.

A solução para o pequeno produtor na maioria das vezeso problema não se refere a necessidade de aumento da área para produção, mas sim em diversificar a sua produção , a implantação de sistemas agrloflorestais tem se mostrado uma ótima solução ECOLÓGICAMENTE CORRETA, SOCIALMENTE JUSTA E ECONOMICAMENTE EFICIENTE. Por exemplo, em Pauta Socioambiental e  vários outros sites e blogs  há muitos relatos  e dados sobre experiências exitosas de uso sustentável dos recursos naturais e pequenas proprieddes. Incluindo vídeoso  não apresentados ou produzidos pelo Globo Rural.

No Entanto, a desobrigação de manter ou diminuição da área de reserva legal e APPs nos biomas e outras mudanças previstas na proposta do Novo Código Florestal  fará  uma enorme diferenças para os grandes produtores que possuem enormes quantidades de terra serão enormemente favorecidos pois assim, vão expandir ainda mais sua plantações de grão e pastos a perder de vista sem deixar lugar para reprodução e renovação da fauna e flora local. Vão desaparecer mais rapidamente com os “filetinhos” de rios e os “córregos de sapo”. Tudo pela melhoria da qualidade de vida do pequeno produtor e pela produção de alimento, ou melhor, para combater a escassez de alimento no planeta.

O impacto do pequeno produtor não manter em sua propriedade a reserva legal e as áreas APPs é bem menor que a daqueles que possuem grandes áreas, ou seja, os grandes produtores de grãos e pecuaristas.

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