uma outra opinião

Sempre me considerei uma pessoa tolerante...Gosto de ouvir o que os outros tem a dizer. Ainda que raramente isso me faça mudar de  opinião sobre o que acredito e defendo. Não me custa nada ouvi-las. E é bem verdade que isso amplia e muito minha visão de mundo.

Quão diverso é o mundo igualmente a diversidade de opinião.  Acredito se eu tenho o direito de ter minha opinião sobre qualquer questão, os outros também tem. Inclusive o direito de ter opinião diferente da minha. Essa é a riqueza do nosso  mundo.

Mas, outro dia percebi que muitas vezes sou bem intransigente com a opinião das minhas irmãs/irmãos. Quero de toda forma mostrar que eu estou certa. A minha opinião é a correta.  Que o que fazem não é correta. Nossa Quanta pretensão. 

Ouço sim a opinião deles mas de  forma de colocar minha opinião é quase uma imposição. Outro dia, logo após o segundo turno da eleição presidencial liguei para minha irmã caçula não necessariamente prá saber em quem ela votou, mas como sempre faço muitas perguntas a ela. acabei perguntando sobre o seu voto. Ela me disse que não havia votado. Fiquei indignada.

- Como assim, não votou? Porque não votou?
-Uai, porque não quis. nenhum dos dois presta, os dois são as mesma coisa. respondei ela.

Prá mim foi o cúmulo...Como assim, os dois são iguais? Disse o quanto estava decepcionada com ela. Nunca imaginei que alguém (minha irmã) de família pobre como nós tivesse tal opinião: Como assim igual? quando foi que alguém da nossa família teve condições de comprar carros novos, computadores, casas, apartamento? E a estrada prá ir pro sítio?  A luz no sítio de graça. Sem que papai pagasse um centavo, que se endividasse como o meu cunhado e muitos outros que foram beneficiados pelo Luz no Campo do governo Fernando Henrique?

Prá mim era um absurdo, ela não reconhecer esse avanços...e ela.
- ah, Deroní, mas isso foi o Lula quem fez e não a Dilma.
- é claro que foi o Lula. E vc acha que  com o Serra seria a mesma coisa?

Ela disse que o voto dela não faria diferença, pois a Dilma ganhou com folga...era só um voto. Por isso ela não votou. Disse a ela que não se tratava disso, mas de cada um fazer sua, parte.

Mudamos de assunto. Mas ao desligar o telefone minha indignação voltou.
Posteriormente, refleti muito sobre meu comportamento. Nossa como estou intolerante. Acho que sou mais dura com minha família. Principalmente com minha irmã caçula que eu tanto cuidei quando criança e adolescente (talvez seja por isso). Mas isso não me dá o direito de querer que ela pense e acredite  nas mesma  idéias que eu.

Por isso, na semana seguinte liguei prá ela e pedi desculpas. Disse que eu não tinha o direito de dizer aquelas coisas. Tenho que respeitar a opinião dela, ainda que não concorde.  Que de certa forma fiquei até envergonhada depois.
 Quão doce ela é, me disse: "Imagine maninha, não fiquei chateada não... eu sei. é sua opinião. Não me zango com vc nunca."

Sempre reconheço meus erros e mancadas e nunca tive problema em pedir desculpas ou admiti-los. Faço isso de coração. Só assim consigo dormir melhor. Não suporto a idéia ser injusta com os outros. Ainda que a pessoa não aceite as  desculpas. Me sinto mais leve. Fiz a minha parte.

É certo que todo mundo erra, mas poucos têm a coragem de reconhecer o erro. Voltar atrás e pedir desculpas. Eu tenho. Se quero ter minhas idéias respeitadas, devo igualmente respeitar as do próximo.  E isso ao contrário do que muitos pensam, é um ato de grandeza e não fraqueza.

Acho que voltei ao normal. Voltei a ouvir e  respeitar os outros. Foi só um momento de fragilidade. Essa eleição me stressou um pouco..rsrsr. Fiquei meio desequilibrada.  Mas voltei a relavitizar novamente.

Share:

0 comentários