AS COTAS E EU – parte I

Outro dia o Vicente Puhl me enviou uma interessantíssima entrevista concedida à Carta Capital pelo jurista Fábio Konder Comparato, professor aposentado da Universidade de São Paulo e um dos defensores da proposta. Ele afirma que a adoção de cotas raciais nas universidades públicas “não apenas é constitucional, como a ausência desse tipo de política representa uma inconstitucionalidade por omissão”. Comentei com o André o que eu achava ele disse que daria um artigo o que eu falava. Bom, não escrevi um artigo, mas resolvi ocupar esse meu espaço divagando sobre o assunto.


Algumas vezes, quando o Vicente trabalhava na Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional - FASE-MT e eu no Grupo de Trabalho Amazônico – GTAMT, em uma dessas justifiquei um dos porquês que eu era contra o sistema de Cotas citando o episódio em que o Taisir, reitor da Universidade do Estado de Mato Grosso- UNEMAT apontou para a minha irmã Antonia em um dos seus discursos de campanha pela re-eleição que era graças a briga dele enquanto reitor pelas cotas na UNEMAT que ela estava ali.

Aquilo não correspondia a verdade, pois a minha irmã é negra sim e passou e passou no vestibular mas não pelo sistema de cotas. Mas por mérito dela mesmo. Ela não havia concorrido “a vaga reservada” para ela já que era a única negra da sala. Mesmo assim, posso dizer que não para o sr. Reitor em campanha pela reeleição, “ELA NÃO ESTARIA LÁ...” como para outros tantos naquele auditório que a olharam com a mesma certeza: Ela estava lá graças ao sistema de cotas para negro e pardos.

Nesse sentido, na época (2005) este era um dos meus argumentos mais relevantes para não concordar com o sistema de cotas. Ou seja, já era a forma com que estava sendo implementada. A forma com que os negros dali em diante seria tratado numa universidade.


Lembro-me que dizia, que os negros e pobres não estão nas universidades porque estudam em escolas públicas que são de péssima qualidade e reforçava que somos tão capazes quanto outros grupos étnicos e que ainda assim, muitos de nós conseguíamos entrar e citava o meu exemplo de ter participado de 3 vestibulares e ter passado nos 3 entre os 10 primeiros lugares (1º, 8º e 4º lugares respectivamente).


Muitos diziam que eu estava indo contra o meu povo a minha raça. Que estava sendo egoísta porque eu era a exceção. Até ouvi um “você não se considera negra?(Pode? Quanta ignorância). Os negros já sofreram demais”.
Não era e não é nada disso. Eu só queria e ainda quero que nós negros e outras minorias étnicas excluídas da sociedade sejam incluídas sem que fossem consideradas incapazes, mas que o estado assumisse seu fracasso e omissão no cumprimento do seu papel de garantir o direito básico a todo cidadão, entre eles, o direito a educação de qualidade conforme reza a Constituição. Será que é tão dificil entender ou pelo menos respeitar minha opnião?
Estou aberta a ouvir, mas ainda não me convenceram do contrário... somos livres para opinar, não? Se não, "vou errando enquanto o tempo me deixar"...
Próximo!!!!!

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